Lavar da roupa no ribeiro

O carreiro estreito abre-se por entre as árvores cobertas de musgo, conduzindo ao ribeiro onde a água corre límpida e constante, espelhando o verde das margens e as histórias de quem ali se reúne. Na Gralheira, em Cinfães, duas mulheres, de saias rodadas e aventais atados com firmeza, recriam um ritual antigo: lavar a roupa da família nas águas frias que serpenteiam o vale.

Entre a espuma do sabão e o som ritmado das peças batidas na pedra, nasce também outro labor, o da palavra partilhada. Ali, enquanto as mãos trabalham sem descanso, colocam-se as novidades em dia, trocam-se conselhos, aliviam-se preocupações e reforçam-se laços. O ribeiro não é apenas lugar de tarefa, mas de encontro, de cumplicidade e de comunidade.

Nesta fotografia revive-se essa tradição tantas vezes esquecida, recriada pelo Grupo Cantas e Cramóis de Pias, que volta a dar vida aos gestos, aos trajes e às rotinas do mundo rural de outros tempos. O enquadramento natural e o reflexo perfeito na água transportam-nos para uma época em que a vida corria ao ritmo da natureza e o quotidiano se fazia de gestos simples, mas cheios de significado.

© Pedro Sá | Fotografia


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